Rapaz é encontrado morto em terreno baldio com golpes de facão no pescoço

Crédito: Luiz Closs

Peritos removem corpo da vítima de terreno.

O jovem Jair Ribeiro de Lima, de 27 anos, foi encontrado no começo da manhã de ontem, dia 11, morto em um terreno baldio na rua Antônio Marin, no Parque das Árvores, próximo de sua casa, no mesmo bairro. A vítima, que residia com um irmão, estava com o pescoço completamente cortado, na região da garganta, com golpes feitos por facão. Populares que passavam pelo local logo no começo da manhã, por volta das 7 horas, avistaram a vítima caída no chão de barriga para cima, próxima da parede de uma casa e a cerca de 100 metros da rua.

Os populares acionaram primeiramente o Samu, que, após chegar ao local e constatar o óbito da vítima, acionou a Polícia Militar. A Polícia Civil chegou logo em seguida. Jair também apresentava golpes no antebraço direito, marcas que provavelmente são de defesa. A vítima vestia uma bermuda vermelha e também uma camiseta do time União São João e sandálias. “Buscamos saber se a vítima morreu aqui mesmo no terreno, devido à pouca quantidade de sangue que está no chão. No entanto, a grama pode ter absorvido esse sangue”, afirma o delegado-adjunto e chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais), Alexandre Socolowski, que comanda a investigação deste caso. A hipótese do local do crime ainda está sendo estudada, já que respingos de sangue também foram encontrados na parede e uma barra de ferro estava na mão da vítima, que provavelmente foi usada para se defender.

O facão usado no crime foi encontrado somente durante a tarde. Este facão, completamente enferrujado e com coágulos de sangue, estava jogado em uma casa em construção que fica nos fundos do mesmo terreno e será submetido à perícia, a fim de detectar impressões digitais. Quem encontrou o objeto foi o proprietário desta obra.

Vítima era conhecida por andar nua pela cidade

A identificação de Jair ocorreu rapidamente, já que ele era conhecido no bairro por ser usuário de entorpecentes e também pelos problemas mentais. No entanto, foi por aparecer constantemente em vários pontos da cidade, inclusive na área central e no seu próprio bairro, caminhando completamente nu, que fez com que ele fosse imediatamente reconhecido. Popularmente, a vítima era conhecida como Jairão. A primeira ocorrência desse fato aconteceu no dia 10 de dezembro de 2011. Jair foi encontrado pela Polícia Militar caminhando sem roupas pela rua Tiradentes, no Centro. Após essa ocasião, os registros da vítima na mesma situação se tornaram cada vez mais constantes.

A família, na época, havia admitido para a Polícia Civil que Jair possuía problemas mentais, era usuário de crack desde os 12 anos e tinha várias internações em clínicas psiquiátricas, como a Casa de Saúde “Bezerra de Menezes”, em Rio Claro, onde permaneceu por 30 dias, mas foi liberado. Em uma das ocorrências em que o jovem foi encontrado nu pela área central, funcionários da Secretaria Municipal de Ação e Inclusão Social o encaminharam até o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), já que seria providenciada uma internação para ele.

Roberto Ribeiro de Lima, que é irmão da vítima, mas que não morava junto, diz que a última internação de Jair foi na Clínica “Antônio Luiz Sayão”, em Araras. “Ele ficou internado por 30 dias e saiu recentemente”, diz. A estadia de Jair na clínica era paga pela Prefeitura, mas, segundo o irmão, a maioria das clínicas não aceitava sua internação pelo fato do mesmo ter um comportamento bastante instável. “Nós estávamos com um advogado para providenciar a internação definitiva dele”, declara o irmão, que também foi levado até a Delegacia Participativa para prestar depoimento. Outros familiares ainda deverão ser chamados. Jair também fazia uso de medicamentos controlados.

Envolvimento com drogas

A Polícia Civil já deu início nas investigações do caso. “Devido ao envolvimento dele com drogas, acreditamos que o assassinato tenha alguma ligação com isso, já que há informações de que ele vinha praticando pequenos furtos para comprar entorpecentes”, afirma o delegado Socolowski. As primeiras investigações ainda apontaram que Jair foi visto durante a noite de domingo, 10 de junho, caminhando pelo bairro, próximo de um local de venda de drogas, tentando trocar alimentos por dinheiro para possivelmente comprá-las. Ele usava, inclusive, as mesmas roupas que vestia quando foi encontrado morto. Segundo seu irmão Roberto, devido a seu comportamento instável, era comum Jair ficar um tempo fora de casa e a última vez que a família o viu foi por volta das 23 horas de domingo, quando saiu de sua residência. Ele ainda informou que Jair vinha recebendo ameaças de morte.

Também foi acionada a presença da perícia do Instituto de Criminalística (IC) de Limeira. Durante os primeiros exames no local os peritos acreditavam que o lugar foi usado para desova e que o assassinato tenha ocorrido durante a madrugada, devido à rigidez do corpo, também ocasionada pelo tempo frio. O corpo de Jair foi encaminhado até o IML (Instituto Médico Legal) de Limeira para exame necroscópico. O laudo deverá ficar pronto em 30 dias. A vítima será sepultada hoje, às 10 horas, no Cemitério Municipal de Araras. A Polícia Civil pede para quem tenha informações sobre a autoria deste assassinato para que faça uma denúncia anônima para os telefones 197 ou 3541-8111. Não há necessidade de identificar-se.

Araras já registra oito homicídios neste ano

Com o assassinato de Jair Ribeiro de Lima na manhã de ontem, até o momento a cidade de Araras já contabiliza oito registros de homicídios em 2012, com nove vítimas, já que em fevereiro último aconteceu um duplo homicídio, com a morte de um casal no José Ometto II. Fevereiro, inclusive, é o mês com maior número de assassinatos neste ano até então, com três registros e um total de quatro vítimas. Estes números, até o momento, são 100% maiores do que os registrados no mesmo período do ano passado, já que de janeiro a junho de 2011 Araras teve quatro homicídios. Grande parte desses assassinatos ocorridos neste ano é relacionada pela Polícia Civil à criminalidade.

Article by Luiz Closs

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